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Saiba o que pensa Sebastian Popik, o caçador de empresas agro no Brasil

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 Sebastian Popik Foto João Castellano IstoÉ

 

Por Vera Ondei

 

Empreendedor que adotou o Brasil como sua casa tem construído um ecossistema exclusivo para o agro a partir de largos investimentos.

 Está na agenda do economista Sebastian Popik, argentino de nascença (mas cidadão brasileiro) que em 2009 criou no país o fundo de private equity Aqua Capital: levantar de R$ 2 bilhões a R$ 2,2 bilhões para 2022 ou, no máximo, 2023. O Aqua Capital nasceu como um fundo dedicado exclusivamente ao agronegócio e, portanto, essa captação vai servir para novas investidas na compra de empresas do setor.

 “Acho que há um ecossistema de investidores na parte early stage [estágio inicial de uma startup] no Brasil, tanto de fundos especializados como de generalistas, que são as incubadoras, o venture capital. Eu diria que não temos um ambiente totalmente desenvolvido, mas já avançou bastante”, afirma Popik. “Em private equity, nós somos únicos no que fazemos, estamos focados em internacionalizar e melhorar nossa capacidade de agregação de valor.” Popik destaca, porém, que o Brasil, com 75% das operações, continua sendo o foco da Aqua Capital, que também tem escritórios nos EUA, na Colômbia e na Argentina.

 O fundo já realizou 39 aquisições no país. E também recoloca no mercado empresas ajustadas, como a Grand Cru, vendida em outubro para a Evino, segundo maior e-commerce de vinhos da América Latina. A Grand Cru, maior importadora, distribuidora e varejista de vinhos premium da região, foi incorporada ao fundo em 2014. “Em valores atuais, já investimos cerca de R$ 3,5 bilhões. Nossas empresas têm uma receita anual da ordem de R$ 12 bilhões a R$ 13 bilhões”, afirma.

 Entre elas está a Agrogalaxy, holding com foco na distribuição de insumos e serviços agrícolas, um dos principais destaques do portfólio; a Yes, de fertilizantes; a Ultracheese, dona de marcas de queijo como Búfalo Dourado, Lac Lélo e Cruzília; a Biotrop, de produtos biológicos; a Geneseas, um complexo verticalizado de produção de tilápias, outra aposta considerada uma “mina de oportunidades” pelo fundo; e a Confrio, uma operadora de logística frigorífica.

 Mudanças que geram oportunidades têm sido o caminho prioritário dos fundos, mas Popik destaca que elas são apenas um dos aspectos do ambiente de negócios. Investimento em compliance, por exemplo, é algo que deve estar no centro de qualquer empresa, e que ir além não traz riscos, mas virtudes. Ele conta um episódio ocorrido na Geneseas, que lançou no mercado uma tilápia criada sem antibióticos.

 “Custa muito pouco a mais para fazer, um dígito porcentual, mas não emplacou porque o peixe é uma categoria vista como uma commodity”, diz ele. Resumo: o produto não foi para o mercado, mas o processo foi implantado em toda a criação e hoje os peixes produzidos pela Geneseas usam 40% menos antibióticos. “Isso não é uma questão de custo, mas de saúde, porque não queremos o risco de uma superbactéria. É uma atitude pequena, mas de impacto enorme.”

 O economista avalia que três forças aceleraram nos últimos tempos, assim como o home office acelerou a digitalização do trabalho. Ele destaca, em primeiro lugar, as tecnologias de agtechs e foodtechs chegando à maturidade com a digitalização. “Nas tecnologias, o que era antes um jogo de venture capital hoje são investimentos maiores, como é o nosso caso”, afirma. Na democratização da digitalização, o “pulo do gato” não é mais o produto; é o acesso ao mercado.

  Na Agrogalaxy, por exemplo, 40% dos produtores interagem com a empresa pelo Whatsapp, por onde os engenheiros agrônomos ensinam, mostram e capacitam. “Muita gente associa tecnologia ao digital, mas a biologia também é tecnologia.” A segunda força, para o executivo, é toda a agenda de mudança climática, e “eu sinto que estamos na pontinha do iceberg do que vai impactar”. Há uma certeza na administração do fundo do surgimento de modelos de negócios e que essa agenda cria condições para investimentos significativos.

  O terceiro aspecto é que a humanidade quer se alimentar melhor. “A Covid-19 colocou tudo isso em evidência”, diz Popik. “Tem uma parte menos óbvia, mas as pesquisas estão dando os sinais: as pessoas se dispõem a pagar um pouco mais e a entender que a comida pode ser um pouco menos gostosa, como maionese e frituras, mas querem mudar seus hábitos. Ainda não é uma tendência universal, mas está crescendo.” Historicamente, o que norteia o crescimento do agro, o que lhe dá suporte, é a necessidade do mundo por alimentos. Esse é o pilar principal, é onde o Brasil “encontra espaço para aumentar ainda mais sua competitividade e sua capacidade de atrair e fazer brotar riquezas”, diz Popik (Reportagem publicada na edição 92 da Revista Forbes como parte do Especial “As 100+ do Agro”; Forbes, 8/2/22)

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