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Alessia Cara canta Djavan e chora por baterista do Foo Fighters no Lollapalooza

Alessia Cara canta Djavan e chora por baterista do Foo Fighters no Lollapalooza
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LAURA LEWER
SÃO PAULO, SP – Músicas sobre saúde mental, ataques de pânico, amor-próprio, terapia, insônia e, claro, uma boa dose de fossa amorosa guiaram o show da cantora Alessia Cara, que subiu ao palco pouco depois das 19h deste sábado no Lollapalooza.


A canadense já começou a apresentação no palco Adidas –que também foi sua estreia no Brasil– com sua primeira música de trabalho, o hit antissocial e pessimista “Here”, que entrou em seu EP de estreia “Four Pink Walls”, em 2015, quando ela ainda tinha 18 anos.
Na letra, ela fala sobre ser arrastada por amigos para uma festa e se sentir deslocada sob uma nuvem de maconha e músicas que ela não gosta de escutar.

Depois de dividir a noitada triste com o público, emendou, deitada em uma caminha improvisada no palco, “Sweet Dream”, que narra mais uma noite desagradável –desta vez são 4h55 e os minutos passam sem que ela consiga pregar olhos e interromper sua crise existencial apesar de toda a meditação e das velas de patchouli espalhadas pelo quarto.

Cara, hoje com seus 25 anos, incorpora em suas letras alguns dos maiores dilemas enfrentados pelos millennials e pela geração Z. Apesar dos assuntos melancólicos, no entanto, boa parte das músicas são animadas, com batidas fortes e refrões explosivos que fizeram o público dançar.

A canadense de voz potente começou sua carreira aos 13 anos, publicando covers informais em seu canal do YouTube. Agora, mesmo com um Grammy na conta –ela foi considerada a revelação de 2018 pela premiação– faz questão de manter no repertório algumas roupagens que ficaram conhecidas em sua voz, como “Sweater Weather”, dos americanos do The Neighborhood, postada em 2013 na rede social e que ganhou até uma guitarrinha tocada por ela no palco.
Ela também cantou “Fix You” do Coldplay e “How Far I’ll Go”, tema da animação “Moana” que ela gravou para o álbum da trilha sonora do filme, ambas acompanhadas por um coro afiado do público.

Em uma parte emocionante do show, Cara lembrou a morte do baterista do Foo Fighters, Taylor Hawkins, na noite desta sexta. “Essa é uma noite muito feliz, mas também tem um peso grande em nossos corações. Ontem o mundo perdeu uma grande pessoa, baterista e artista. Eu e minha banda estamos devastados e mandamos todo nosso amor para sua família e amigos.”

A cantora completou que é preciso aguentar firme e viver pelas pessoas que não puderam fazê-lo. Chorando, pediu para todos acenderem as lanternas dos celulares e dedicou “Best Days” ao músico.

Ao longo do show, a canadense fez várias gracinhas em português, dizendo que queria morar no Brasil e atendendo a um telefone no palco para fazer uma cena antes de “Lie to Me”. “Alô, não posso falar agora”, disse com a melhor das pronúncias de artistas gringos que o festival viu até agora. “Fala para ele que eu nunca mais quero falar com ele!”

Cara já mencionou algumas vezes que se interessa pela cultura brasileira, que é fã de Djavan e de João Gilberto e que que busca na música do país –especialmente na bossa nova– influências para suas composições. Isso apareceu em “Bluebird’, cantada no palco apenas com um violão e em levada bem conhecida dos brasileiros.

A craque de covers, no entanto, guardou o seu melhor para músicas que o público brasileiro conhece bem. Há alguns anos roda na internet um vídeo de Cara cantando, envergonhada, um trechinho do clássico de Djavan “Flor de Lis”. Foi o momento de ouvir a canção em uma versão maior e mais confiante para delírio da plateia, que ainda ganhou de brinde uma bonita versão de “Saudade Fez um Samba”, de João Gilberto.

Jão, cantor que se apresentou mais cedo no palco Onix, também subiu no palco para fazer um dueto em “You Let Me Down”. O show terminou com “Scars to Your Beautiful” e “Stay”, outros dois sucessos da cantora.

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