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Política

MPF investiga destruição de Aldeia Ancestral Xavante Sõrepré e convida especialistas a contribuir na apuração

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Interessados deverão encaminhar estudos sobre a importância da Aldeia Ancestral e o impacto de sua destruição na cultura Xavante


Arte: Secom/MPF

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou inquérito civil para investigar como se deu a destruição da Aldeia Ancestral Xavante Sõrepré, localizada cerca de 15 quilômetros ao norte do limite da Terra Indígena Pimentel Barbosa, na região nordeste de Mato Grosso, próximo à Serra do Roncador. A Aldeia Sõrepré, também grafada como “Tsõreprè” ou “Isõreprè”, é considerada o centro histórico mais antigo do território A’uwe e está na área que será afetada pela construção da BR-080, que liga Brasília (DF) ao município de Ribeirão Cascalheira (MT), a 893 km de Cuiabá. A obra também está sob investigação do MPF, em Barra do Garças. 

A investigação está inserida no Inquérito Civil nº 1.20.004.000029/2022-27, que tem como objetivo apurar o efetivo cumprimento da consulta e consentimento livre, prévio e informado em relação às comunidades indígenas afetadas pela BR-080, e também a desconsideração de local sagrado, conhecido como Sõrepré, berço da cultura do Povo Xavante, nos estudos ambientais e antropológicos realizados no interesse da rodovia.

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Diversas diligências foram determinadas e há um prazo regulamentar para a apresentação das respostas. Nesta oportunidade, considerando a relevância da questão e para contribuir com as investigações, o procurador da República, titular do 1º Ofício em Barra do Garças e responsável pela condução do procedimento em questão, Everton Pereira Aguiar Araújo, convida especialistas que tenham interesse para encaminhar ao MPF estudos sobre a Aldeia Ancestral tratando da importância dela para o Povo Xavante, assim como os impactos de sua destruição para os indígenas da etnia. 

As manifestações poderão ser encaminhadas via Sala de Atendimento ao Cidadão (SAC) com referência ao número dos autos para o MPF em Barra do Garças (MT) ou via protocolo eletrônico da mesma forma, por meio do www.mpf.mp.br/mpfservicos

Aldeia Ancestral Xavante Sõrepré – A Aldeia Ancestral Xavante Sõrepré já foi citada em um estudo desenvolvido pela Associação Xavante Bö’u, com suporte do Ministério Público Federal (MPF), da Fundação de Amparo a Pesquisa de São Paulo (Fapesp) e da agência Forensic Architecture, Goldsmiths – Universidade de Londres.

O nome Sõrepré significa “pedra vermelha” em referência à Serra do Roncador. A aldeia, conforme os estudos, era composta por um conjunto de aldeias-satélite e assentamentos temporário menores “(…) de onde e para onde iam e vinham subgrupos em constante movimentos geográficos (…)”.

Sõrepré é considerada a “aldeia mãe” do território Xavante por ter sido o centro de unidade política e geográfica, assim como pólo difusor dos vários grupos que posteriormente iriam popular as outras regiões do rio das Mortes. O estudo traz narrativas orais documentadas em todas as atuais terras indígenas Xavante que reconhecem Sõrepré como uma de suas aldeias mais antigas, atribuindo a ela elevada importância histórica e a associando com um período de paz e prosperidade.

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Assessoria de Comunicação
Ministério Público Federal
Procuradoria da República em Mato Grosso
www.mpf.mp.br/mt
[email protected]
(65) 3612-5083

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URGENTE! Câmara cassa mandatos de Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem

Câmara dos Deputados cassa mandatos de Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem em decisão administrativa. Eduardo perdeu o cargo por excesso de faltas no exterior, enquanto Ramagem foi afastado após condenação pelo STF por tentativa de golpe.

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Cassação de Eduardo Bolsonaro e Ramagem
A Mesa Diretora da Câmara oficializou a saída de dois parlamentares do PL nesta quinta-feira. Foto: Agência Brasil

A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados cassou, na noite de ontem (18), os mandatos de Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem. Eduardo perdeu o cargo por faltas excessivas, enquanto Ramagem foi afastado após condenação por tentativa de golpe. A decisão administrativa evitou votação em plenário e aprofundou o conflito institucional entre Legislativo e Judiciário.

O peso das ausências internacionais

Eduardo Bolsonaro acumulou faltas em mais de 80% das sessões ordinárias desde julho de 2025. Por conta disso, o presidente Hugo Motta declarou que “o deputado Eduardo Bolsonaro tem o número de faltas suficientes para a cassação de seu mandato”. O parlamentar está nos Estados Unidos desde março de 2025, alegando perseguição política. Entretanto, a Mesa Diretora entendeu que é impossível exercer o mandato estando permanentemente fora do território nacional.

A decisão baseou-se nos incisos III e IV do artigo 55 da Constituição Federal. Nesse contexto, a perda do cargo por faltas ocorre de forma automática e declarativa. Por esse motivo, não houve necessidade de submeter o caso ao plenário da Casa. Eduardo afirmou anteriormente que se encontra em solo estrangeiro para “se furtar à aplicação da lei penal”. Além disso, ele ainda responde a processo por coação no Supremo Tribunal Federal (STF).

Condenação por golpe sela destino de Ramagem

Alexandre Ramagem teve seu mandato retirado após determinação expressa do ministro Alexandre de Moraes. De fato, o ex-diretor da Abin foi condenado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e organização criminosa. A Primeira Turma do STF concluiu que Ramagem usou a estrutura da inteligência estatal para monitorar adversários políticos. Consequentemente, a condenação gerou a perda automática dos direitos políticos e do cargo parlamentar.

Ramagem fugiu clandestinamente para Miami em setembro de 2025 utilizando passaporte diplomático. Inclusive, ele tentou justificar sua ausência com atestados médicos de “ansiedade generalizada” emitidos na data da fuga. Todavia, os técnicos da Câmara avaliaram que o deputado burlou regras internas. Por essa razão, a Mesa Diretora oficializou a cassação de ofício, acatando a ordem judicial após o trânsito em julgado do processo.

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O braço de ferro entre Poderes

A mudança de estratégia de Hugo Motta revelou a tensão entre o Legislativo e o Judiciário. Inicialmente, o presidente pretendia levar o caso de Ramagem ao plenário. Contudo, o recuo ocorreu após o STF anular a votação que manteve o mandato de Carla Zambelli. Segundo Moraes, os parlamentares não podem deliberar sobre decisões judiciais definitivas. Assim, a Mesa Diretora optou por assinar o ato administrativo para evitar novos desgastes institucionais.

A oposição criticou duramente a medida, classificando-a como uma “submissão do Parlamento à toga”. Por outro lado, governistas celebraram a decisão como uma vitória da legalidade. Nesse sentido, o caso reforça o entendimento de que mandatos eletivos não funcionam como escudos contra crimes graves. A assinatura de Antônio Carlos Rodrigues, deputado do próprio PL, chamou a atenção por sinalizar divisões internas no partido.

O que você precisa saber

  • Eduardo Bolsonaro: Mandato extinto por faltas (>80%) administrativas, sem inelegibilidade automática imediata.

  • Alexandre Ramagem: Cassado por condenação criminal (16 anos) ligada à trama golpista e monitoramento ilegal.

  • Decisão: Feita de ofício pela Mesa Diretora, ignorando rito de votação em plenário para evitar conflitos com o STF.

 

Os atos que determinaram a perda dos mandatos foram publicados nesta quinta-feira (18) em edição extra do Diário da Câmara dos Deputados.

 

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