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Morre a atriz Maria Fernanda, filha de Cecília Meireles, aos 96 anos

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GUSTAVO ZEITEL
SÃO PAULO, SP – Morreu, no final da tarde deste sábado (30), a atriz Maria Fernanda Meireles Correia Dias, aos 96 anos, em decorrência de complicações respiratórias. Ela estava internada desde a terça-feira (26) na Casa de Saúde São José, no bairro do Humaitá, zona sul do Rio de Janeiro.


A informação foi confirmada por Daniel Marano, ator e professor da Casa Das Artes de Laranjeiras (CAL) que passou os últimos sete anos pesquisando sobre a vida e a obra da atriz.

Filha da poeta Cecília Meireles, Maria Fernanda teve uma carreira ligada ao palco, onde atuou por 70 anos. Ela encenou obras de grandes autores do teatro, como Tchékhov, Jean Genet, Brecht e Shakespeare. Não por acaso, o início de sua vida profissional foi com a primeira montagem de “Hamlet” no país, interpretando a personagem Ofélia, em 1958.

Ainda no fim dos anos 1950, Maria Fernanda se consagrou como Blanche DuBois, na peça “Um Bonde Chamado Desejo”, de Tennesseee Wiliiams, que ficou quase dez anos em seu repertório. Em 1968, foi presa pela Polícia Militar enquanto apresentava a peça em Brasília.
O caso gerou revolta entre a classe artística, que se mobilizou em uma greve com duração de 72 horas. A Passeata da Cultura Contra a Censura, em que atrizes protestaram lado a lado na Cinelândia pela liberdade de expressão, foi uma das consequências da greve.

Para Marano, o professor da CAL, apenas Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg têm a mesma importância na dramaturgia brasileira. “Ela ajudou a inventar a noção de ator moderno aqui no país, era muito culta e quando percebeu que o nível das montagens havia caído, lá nos anos 1990, preferiu se retirar”, ele diz.

Para Eduardo Barata, do colegiado da Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro, a APTR, Maria Fernanda se distinguiu pela formação intelectual e a valorização do texto. “Ela é uma escola de interpretação, às vezes dizemos que um papel é ‘tipo Maria Fernanda’”, ele conta. “O realismo e o naturalismo entravam no palco e conviviam com a técnica.”

No cinema, a atriz participou de filmes na Atlântida e Vera Cruz, importantes estúdios da época. Em 1979, viveu Joana Angélica, no filme de mesmo nome dirigido por Walter Lima Jr. e, em 1995, foi Dona Maria 1ª, a Rainha Louca, em “Carlota Joaquina, Princesa do Brazil”, de Carla Camurati. Na televisão, é lembrada pelas novelas “Gabriela”, de 1975, e “Pai Herói”, de 1979.

Segundo Barata, Maria Fernanda conseguia tornar popular a erudição dos clássicos do teatro. “Ela chegou a fazer Shakespeare com linguagem coloquial”, ele diz. “As novas gerações devem se lembrar dessa importante atriz, sabendo como é importante estudar e o quanto o teatro é importante para o exercício da cidadania.”

Maria Fernanda foi casada com o diretor de TV Luiz Gallon e deixa o filho Luiz Fernando. A família não divulgou informações sobre o velório.

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