Gastos Públicos
Especificações técnicas muito acima da média administrativa
Câmara de Peixoto de Azevedo adquire 15 notebooks de R$ 10 mil cada com configuração “gamer” (placa de vídeo dedicada e 32GB RAM), gerando questionamentos sobre a real necessidade administrativa.
Cada computador custou R$ 10,1 mil aos cofres públicos; equipamentos possuem placa de vídeo dedicada e memória extrema, itens de luxo para atividades legislativas comuns.
No apagar das luzes do calendário legislativo de 2025, a Câmara Municipal de Peixoto de Azevedo (691 km de Cuiabá) decidiu renovar seu parque tecnológico com máquinas de potência industrial. Em contrato assinado no dia 18 de dezembro, a Casa de Leis adquiriu 15 notebooks de altíssimo desempenho pelo valor unitário de R$ 10.159,00. A fatura total para o contribuinte alcança R$ 152.730,00.
O que chama a atenção na compra não é apenas o montante global, mas a sofisticação técnica dos aparelhos. As especificações exigidas no edital descrevem computadores com capacidade de processamento muito superior à necessária para rotinas de gabinete, como redigir leis, enviar e-mails ou analisar planilhas.
Para entender melhor: a configuração comprada inclui “32 GB RAM DDR5” e “GPU dedicada” (placa de vídeo independente). No jargão tecnológico, esse perfil de hardware é conhecido como “setup gamer” ou “workstation de engenharia”. São máquinas desenhadas para rodar softwares pesados de edição de vídeo em 4K, renderização de projetos arquitetônicos tridimensionais ou jogos eletrônicos de última geração.
A ‘Ferrari’ da burocracia
O Termo de Contrato Administrativo nº 038/2025, fruto do Pregão Eletrônico 006/2025, detalha minuciosamente o item de luxo. A Câmara optou por telas grandes de 17 polegadas e processadores de elite (Intel Core i7 ou AMD Ryzen 7).
O abismo entre a necessidade administrativa e a compra efetuada é financeiro e técnico. Um notebook corporativo robusto, capaz de operar por anos sem lentidão em tarefas de escritório, custa hoje entre R$ 3.500 e R$ 5.000. Em Peixoto, pagou-se o dobro.
O documento oficial é específico sobre a exigência gráfica:
“Notebook – Tela 17″ […] GPU dedicada; processador Intel Core i7 ou AMD Ryzen 7 […] Linha profissional 17″ com GPU dedicada e porta Ethernet (ex.: Lenovo ThinkPad 17″, HP 470 17″, Dell Precision 17) ou equivalente.”
Quem vende e quem paga
A fornecedora escolhida para entregar as supermáquinas é a empresa Silva e Granetto Ltda, sediada no município vizinho de Matupá. A homologação do negócio coube ao presidente da Câmara, vereador Thawê Rodrigues Dorta.
Além dos 15 computadores, que sozinhos somam R$ 152.385,00, o pacote incluiu um item curioso de menor valor: um painel acústico de lã de rocha, custando R$ 345,00. O contrato justifica a despesa de forma genérica, citando o “atendimento às necessidades institucionais”, sem explicar qual setor da Câmara precisa de tal poder de fogo digital.
O dever da eficiência
A Nova Lei de Licitações (Lei 14.133/2021) impõe ao gestor público o princípio da economicidade. Isso não obriga a compra do item mais barato e descartável, mas exige a aquisição da solução mais vantajosa e proporcional à necessidade real.
Quando o poder público adquire tecnologia superdimensionada, corre o risco de ferir esse princípio. Se os softwares usados no dia a dia da Câmara não exigem 32 GB de memória RAM — o quádruplo do padrão básico atual —, o excedente de capacidade torna-se, na prática, dinheiro parado dentro da máquina.
Raio-X da Compra
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Contratante: Câmara Municipal de Peixoto de Azevedo
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Responsável: Thawê Rodrigues Dorta (Presidente)
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Fornecedor: Silva e Granetto Ltda (Matupá-MT)
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Produto: 15 Notebooks de Alta Performance (Tela 17”, 32GB RAM, Vídeo Dedicado)
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Custo Unitário: R$ 10.159,00
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Custo Total: R$ 152.730,00
Outro lado
O espaço segue aberto para que a Câmara Municipal de Peixoto de Azevedo apresente os estudos técnicos que embasaram a definição dessa configuração específica. Também mantemos canal aberto para a empresa fornecedora, caso deseje comentar o processo licitatório.
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CUIABÁ
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Fonte: Câmara de Cuiabá – MT
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