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Eleições 2026

Sondagem da Percent na Baixada infla cenário do Senado e camufla realidade do interior de MT

Análise crítica revela que os números divulgados pela Percent Brasil sobre a corrida ao Senado em 2026 constituem apenas uma sondagem de opinião sem valor legal. Com amostragem restrita à Baixada Cuiabana e erros metodológicos, o levantamento ignora a força do interior e distorce a realidade política de Mato Grosso.

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sondagem da Percent Brasil sobre intenção de votos para o Senado de MT em 2026
Gráficos divulgados pela Percent Brasil focam apenas na Baixada Cuiabana e não possuem registro oficial no TRE, configurando apenas sondagem de opinião.

Levantamento traz Mauro Mendes com 35% e aponta liderança de Janaina Riva na segunda vaga, mas a falta de registro no TRE classifica o material como simples sondagem, sem valor legal e com amostragem restrita.

Números divulgados nesta semana pelo instituto Percent Brasil sobre a corrida ao Senado em 2026 desenharam um cenário de aparente conforto para o governador Mauro Mendes (União) e para a deputada Janaina Riva (MDB). No entanto, observando a metodologia e os dados, o quadro é bem menos definitivo do que as manchetes sugerem.

É imperativo esclarecer ao leitor antes de qualquer análise: tecnicamente, este levantamento não possui o peso de uma pesquisa eleitoral oficial, tratando-se de uma mera sondagem de opinião sem valor legal.

Pela legislação vigente, a obrigatoriedade de registro no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e as consequentes auditorias de dados só passam a valer a partir de 1º de janeiro do ano da eleição (2026). Portanto, o material divulgado não passou pelo crivo de fiscalização, checagem de campo ou rigor estatístico obrigatório da Justiça Eleitoral, devendo sua confiabilidade ser encarada com extrema reserva.

A “ilha” da Baixada Cuiabana

Além da fragilidade jurídica, o pecado estatístico do levantamento está na amostragem. As 1.000 entrevistas foram realizadas exclusivamente em 13 municípios da Baixada Cuiabana. Embora seja a região mais populosa, ela possui um comportamento eleitoral historicamente distinto do “Cinturão da Soja” (Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde) e da região Sul (Rondonópolis).

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Uma eleição para o Senado é majoritária estadual. A Baixada Cuiabana (Cuiabá e Várzea Grande) tem um comportamento eleitoral completamente diferente do “Nortão” (Sinop, Sorriso, Lucas) ou da região de Rondonópolis.

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Essa restrição geográfica explica distorções curiosas, como a rejeição de apenas 9,1% atribuída ao senador e ministro Carlos Fávaro (PSD). Num estado onde a polarização ideológica é latente, especialmente no interior produtor, é improvável que um ministro da base de Lula tenha rejeição de um dígito em âmbito estadual. O dado reflete a tolerância da capital, não o humor de todo o Mato Grosso.

A pesquisa também mediu deputados, o que reforça o caráter “paroquial” da amostra (focada em recall de nomes conhecidos na capital):

  • Federal: Virgínia Mendes (primeira-dama) lidera, seguida por Coronel Fernanda e Emanuelzinho.

  • Estadual: Lúdio Cabral e Eduardo Botelho lideram na Baixada.

Recall não é voto consolidado

A disparidade entre a sondagem espontânea e a estimulada revela que Mauro Mendes surfa na onda do recall (memória de nome), e não necessariamente de voto convicto para o Legislativo.

  • Espontânea: Mauro tem 18%.

  • Estimulada: Salta para 35%.

Essa “elasticidade” de quase o dobro mostra que, quando forçado a escolher um nome numa lista, o eleitor opta pelo mais conhecido (o governador). Porém, o voto “duro” — aquele militante que já decidiu — não passa de 20%. Isso sinaliza que a liderança é robusta, mas tem “pés de barro” suscetíveis a fatos novos até 2026.

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O fenômeno do “segundo voto”

O dado mais politicamente relevante talvez seja a segunda opção de voto. Enquanto Mauro domina a primeira escolha, Janaina Riva lidera isolada a segunda opção com 21,3%.

Isso desenha uma clara tendência de “dobradinha”: o eleitor vota no governador e, por tabela, escolhe a deputada como companheira de chapa, rejeitando a ideia de votar em opositores. Para Fávaro, que cai de 12% (1ª opção) para 8% (2ª opção), o sinal é de isolamento: ele não herda votos dos outros candidatos.

Erros técnicos e o “mistério” de Pedro Taques

A credibilidade técnica do material gráfico divulgado pela Percent também sofre arranhões visíveis. O pré-candidato Antonio Galvan é listado no partido DC na intenção de votos, mas aparece filiado ao PL no gráfico de rejeição — um erro crasso, considerando que o PL em MT é comandado por adversários políticos de Galvan.

Mais grave ainda é o “sumiço” do ex-governador Pedro Taques. Na sondagem espontânea, Taques aparece com 7% (tecnicamente empatado com Fávaro).

No entanto, seu nome foi inexplicavelmente excluído do cenário estimulado principal. Ao retirar um player que o próprio povo citou, a sondagem molda um cenário artificial que beneficia a polarização atual.

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O verdadeiro vencedor: a indecisão

A realidade nua e crua que as manchetes escondem: na menção espontânea, a soma de indecisos, brancos e nulos ultrapassa os 57%. Na disputa pela segunda vaga do Senado, mais de 40% dos eleitores afirmam não saber em quem votar.

Como uma sondagem sem valor legal e que ignora o interior do estado, os números da Percent Brasil servem mais como um teste de popularidade de gestão na Grande Cuiabá do que como uma bússola eleitoral confiável para 2026.

DESTAQUE

EXCLUSIVO:Mato Grosso prende 13,8% mais em um ano e estoura a capacidade das prisões

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encarceramento em Mato Grosso

A população prisional cresce 13,8% em um ano, a quarta maior alta do país, e as vagas encolhem enquanto os homicídios recuam

A população prisional de Mato Grosso cresceu 13,8% em um único ano, a quarta maior alta do país, e passou a superar a capacidade das unidades. O estado passou de 19.606 para 22.636 pessoas encarceradas entre 2024 e 2025, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O salto ocorreu no mesmo período em que os homicídios caíram mais de 20% no estado.

Encarceramento em Mato Grosso sobe 13,8%

A taxa de encarceramento de Mato Grosso subiu de 511,1 para 581,4 presos por 100 mil habitantes entre 2024 e 2025. O aumento ficou atrás apenas dos registrados por Bahia, Piauí e Rio Grande do Sul, entre as unidades da federação com dados comparáveis, e foi mais que o dobro do avanço nacional.

No conjunto do país, a taxa passou de 427,9 para 452,0 presos por 100 mil habitantes, alta de 5,6%. O Brasil chegou a 960.976 pessoas no sistema penitenciário em 2025, ante 905.843 no ano anterior. Com a taxa de 581,4, Mato Grosso encarcera cerca de 29% mais pessoas, em proporção à população, do que a média brasileira, e terminou o período com a nona maior taxa entre os estados.

O número de presos apenas no sistema penitenciário, sem contar a custódia policial, saiu de 19.548 para 22.557 em doze meses, um acréscimo de mais de três mil pessoas. A parcela sob custódia das polícias, bem menor, subiu de 58 para 79, na contramão do país, onde esse grupo recuou de 3.751 para 3.692 pessoas. Somadas as duas, o estado encarcerava 22.636 pessoas ao fim de 2025, quase todo o acréscimo concentrado nas unidades penitenciárias.

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Menos vagas, mais presos

Enquanto prendia mais, o estado perdeu vagas. O sistema penitenciário mato-grossense tinha 22.204 vagas em 2024 e passou a 21.178 em 2025, uma redução de mais de mil lugares. A combinação de mais presos com menos vagas inverteu a relação entre lotação e capacidade.

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Em 2024, havia folga: a razão entre presos e vagas era de 0,9, com mais lugares do que detentos e nenhum déficit registrado. Em 2025, o indicador chegou a 1,1, e o sistema acumulou um déficit de 1.379 vagas. O número significa que, ao fim do ano, o estado tinha mais presos do que lugares oficialmente disponíveis nas unidades penais, o oposto do que ocorria doze meses antes.

Mesmo com a piora, a superlotação de Mato Grosso ainda é menor que a média nacional, onde há 1,4 preso para cada vaga. A diferença está na direção: no país, essa razão ficou estável entre 2024 e 2025, enquanto no estado subiu de 0,9 para 1,1.

Mais de um terço sem condenação definitiva

Parte do crescimento vem de presos ainda sem condenação. Os provisórios de Mato Grosso passaram de 7.108 para 8.550 entre 2024 e 2025, e sua participação no total subiu de 36,3% para 37,8%. Mais de um terço da população prisional do estado aguarda julgamento.

O peso desse grupo pressiona diretamente as vagas, já que cada pessoa detida sem condenação ocupa um lugar no sistema enquanto espera a decisão da Justiça. O número de provisórios cresceu cerca de 20% no período, ritmo superior ao do conjunto da população prisional.

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A proporção coloca Mato Grosso na quinta posição do país em fatia de presos provisórios, atrás de Bahia, Piauí, Minas Gerais e Pernambuco. O índice está bem acima da média nacional, de 25,7%. Os condenados seguem maioria, com 14.086 pessoas, mas perderam participação relativa, ao caírem de 63,7% para 62,2% do total. O grupo sem julgamento definitivo cresceu mais rápido que o de sentenciados no período.

Mortes atrás das grades recuam

Na contramão da lotação, os óbitos registrados no sistema prisional caíram. As mortes por causas naturais ou de saúde passaram de 15 para 9 entre 2024 e 2025, e as de origem criminal, de 12 para 6. As duas categorias medidas pelo levantamento recuaram no período, mesmo com o aumento do número de presos.

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Prende mais, mata menos

O aumento do encarceramento coincidiu com a forte queda dos homicídios no estado. No mesmo intervalo, a taxa de homicídios dolosos de Mato Grosso caiu 22,1%, a quarta maior redução do país. Os dois movimentos, em sentidos opostos, alimentam a discussão sobre a relação entre prender e conter a violência.

O debate tem dois lados conhecidos. De um, a ideia de que retirar mais pessoas de circulação reduz a prática de crimes. De outro, a constatação de que a queda de homicídios costuma responder a uma combinação de fatores, e que ampliar o encarceramento tem custo elevado sem resultado assegurado sobre a violência. Os números de 2025 alimentam a controvérsia, sem encerrá-la.

Os dados do anuário não permitem estabelecer relação de causa entre um fenômeno e outro. Eles registram que o encarceramento cresceu e que os homicídios caíram no mesmo período, sem demonstrar que um explica o outro. A variação das mortes violentas depende de múltiplos fatores, e o recorte do levantamento não isola a contribuição do encarceramento.

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Os dados de 2025 do sistema prisional foram compilados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A continuidade da alta das prisões e a evolução do déficit de vagas dirão se a superlotação registrada em 2025 se aprofunda nos próximos anos.

 

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