Urbanismo e Infraestrutura
O paradoxo do desenvolvimento: Torre de luxo encontra gargalo viário
Audiência pública nesta terça (16) debate impactos do edifício de luxo Harissa. Entrega da torre coincide com impasse nas obras do BRT na Fernando Corrêa.
Audiência pública convocada para esta terça-feira (16) discute os reflexos do Harissa, torre de 41 andares entregue em meio ao impasse das obras de mobilidade na capital.
O horizonte da Avenida Fernando Corrêa da Costa mudou drasticamente nos últimos quatro anos. Quem transita por uma das vias mais movimentadas de Cuiabá já notou a imponência do Harissa, ou Condomínio Vale do Beqaa. O empreendimento de ultra-luxo, assinado pelo Grupo São Benedito, chega à sua fase final de entrega. No entanto, o impacto dessa “cidade vertical” na rotina do bairro Jardim Leblon e arredores será colocado à prova. Nesta terça-feira, 16 de dezembro de 2025, o Conselho Municipal de Desenvolvimento Estratégico (CMDE) realiza uma audiência pública mandatória.
A reunião ocorre às 19h. O local escolhido é o Centro Comunitário Antônio G. Barbosa, situado na Rua Militar, s/n, no bairro Jardim Leblon. A estrutura fica estrategicamente posicionada em frente ao Posto de Saúde local. Segundo o texto oficial do convite, a participação popular é vital. O documento ressalta que a presença é de “suma importância para os residentes, comerciantes, ocupantes e usuários da região e demais munícipes”.
O foco do debate é técnico, mas com consequências práticas imediatas. Serão apresentados o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) e o Relatório de Impacto de Vizinhança (RIV). O objetivo declarado pela municipalidade é garantir “o debate e apreciação dos impactos urbanísticos, sociais e ambientais do empreendimento na região”.
Para entender melhor: o que está em jogo?
O que são EIV e RIV? O Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) é uma análise técnica detalhada. Ele investiga como um grande empreendimento afetará a qualidade de vida ao seu redor. O estudo avalia trânsito, ruído, sombreamento e demanda por serviços públicos. Já o Relatório de Impacto de Vizinhança (RIV) é a versão resumida e acessível desse estudo. Ele traduz os dados técnicos para uma linguagem que a população compreenda.
Para que serve a Audiência Pública? É o momento democrático de validação. A construtora apresenta os dados do RIV e a comunidade questiona. Moradores podem apontar problemas que os técnicos não viram. É a hora de negociar contrapartidas, como melhorias no trânsito ou praças.
Quando isso deve ocorrer? Idealmente, antes da aprovação final ou da concessão do “Habite-se”. No caso do Harissa, com a obra fisicamente concluída desde outubro de 2025, a audiência serve para ajustar os impactos da ocupação iminente.
O colosso de concreto e a herança libanesa
O Harissa não é apenas mais um prédio. O projeto ostenta números superlativos e um conceito de “casa suspensa”. São 41 pavimentos que abrigam apartamentos de 165 a quase 500 metros quadrados. O nome carrega um simbolismo profundo. “Vale do Beqaa” faz referência direta à região agrícola fértil do Líbano. Essa escolha honra a trajetória da família Maluf, fundadora do grupo, que emigrou daquele país na década de 1960.
A narrativa corporativa vende um estilo de vida exclusivo. Omar Maluf, Diretor Financeiro do grupo, afirmou em fevereiro de 2024 que o projeto “não é apenas um empreendimento imobiliário; é um investimento significativo que atrai recursos para todo o seu entorno”. Ele reforçou ainda a crença de que o prédio “fortalece as bases para um desenvolvimento sustentável a curto, médio e longo prazos”.
Contudo, a realidade de mercado impõe filtros. Com unidades iniciais acima de R$ 2,1 milhões, o Harissa foca no topo da pirâmide social. Amir Maluf, Diretor de Novos Negócios, destacou anteriormente que “o momento de investir se abre diante de produtos que tem valorização permanente”. De fato, imóveis em Cuiabá valorizaram mais de 10% apenas em 2024. O Jardim das Américas se consolida como epicentro dessa riqueza.
O paradoxo da mobilidade: luxo versus BRT
Aqui reside o ponto crítico da investigação. A entrega do Harissa, que era prevista para outubro de 2025, colide temporalmente com um caos anunciado. A Avenida Fernando Corrêa, porta de entrada do condomínio, aguarda o início da Fase 3 das obras do BRT (Bus Rapid Transit). O contrato anterior foi rescindido em janeiro deste ano. O progresso geral da obra não passava de 20%.
Especialistas ouvidos pela imprensa local alertam para o cenário. As intervenções na Fernando Corrêa serão “mais complexas do que as da avenida CPA”. Há um volume de tráfego intenso e um comércio vibrante na via. A chegada de centenas de novas famílias de alta renda, com seus múltiplos veículos, adicionará pressão a esse caldeirão.
O relatório investigativo aponta uma lacuna. Não foram localizados estudos públicos de modelagem de tráfego que considerem o cenário “Harissa ocupado” somado às “obras do BRT”. A audiência desta terça-feira, portanto, é a chance de esclarecer como esses fluxos conviverão.
A responsabilidade agora recai sobre o Conselho Municipal (CMDE) e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMADESS). A audiência no Centro Comunitário Antônio G. Barbosa é o foro final. É lá que o “debate e apreciação dos impactos urbanísticos” sairá do papel para a realidade do asfalto. A população de Cuiabá, especialmente do Jardim Leblon, tem um encontro marcado com o futuro da sua região.
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CONSUMIDOR
Procon-MT apreende produtos vencidos em comércios de três cidades do interior
Operação fiscalizou supermercados e lojas agropecuárias em Confresa, Alto da Boa Vista e São Félix do Araguaia; açougues foram autuados por carne moída irregular.
O Procon Estadual de Mato Grosso autuou e notificou nove estabelecimentos comerciais nos municípios de Confresa, Alto da Boa Vista e São Félix do Araguaia durante uma operação realizada entre 29 de março e 10 de abril. A ação resultou na apreensão de produtos com prazo de validade vencido e na identificação de infrações graves, como a venda irregular de carne moída em açougues.
A iniciativa da Secretaria Adjunta de Proteção e Defesa dos Direitos do Consumidor (Procon-MT) verificou a adequação de supermercados e lojas agropecuárias às normas vigentes. Em Confresa, o cenário foi crítico: todos os cinco supermercados fiscalizados apresentaram irregularidades e tiveram mercadorias apreendidas por estarem impróprias para o consumo.
De acordo com o coordenador de Fiscalização do órgão, André Badini, os estabelecimentos autuados em Confresa enfrentam agora processos administrativos. O coordenador esclareceu que os supermercados podem ser multados, sendo garantido a eles o amplo direito de defesa.
Irregularidades em açougues e rótulos
A fiscalização detectou problemas na comercialização de alimentos que oferecem riscos à saúde. Em alguns açougues, foi encontrada carne previamente moída, prática que desobedece às normas do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Além disso, produtos eram ofertados sem tabela nutricional, sem preços visíveis e sem informações essenciais em língua portuguesa.
Outro ponto de alerta foi a omissão de informações sobre a presença de glúten e a falta de destaque para a data de vencimento em itens em promoção com menos de 30 dias de validade. Segundo o órgão, os lojistas também falharam ao não informar de maneira clara o valor original e o promocional em produtos de liquidação, descumprindo a legislação estadual.
Orientações e prazos para adequação
Em Alto da Boa Vista e São Félix do Araguaia, as ações tiveram caráter orientativo, motivadas por denúncias. Os comércios foram notificados para corrigir falhas como a ausência do exemplar do Código de Defesa do Consumidor (CDC) e a falta de cartazes informativos sobre órgãos de defesa.
A secretária adjunta do Procon-MT, Ana Rachel Pinheiro Gomes, explicou que haverá retorno às localidades para conferência. Segundo a secretária, após o prazo fixado na primeira visita, uma nova fiscalização será realizada para verificar se os fornecedores realizaram as adequações solicitadas.
Infrações recorrentes encontradas:
Produtos com validade vencida;
Carne moída previamente (fora das normas do MAPA);
Ausência de preços e informações sobre glúten;
Falta de cartaz com contatos do Procon e dados de impostos;
Promoções sem indicação clara da data de vencimento.
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